"Eu pude ler a tua alma através desses teus olhos, e entendi o nosso fim, apenas me dê um sinal de que a porta será aberta e deixaremos como lembrança, nossos sorrisos"
Tua alma limpa e suja de rancor
Que tristeza descobrir que acabou.
O calor
O fervor
O sabor
O amor
Tua alma limpa e suja de raiva e de ódio
Por algo que não aconteceu
Mentira
Ira
Fuga
Outro
Amor
Tua alma limpa e suja de ódio e raiva
Por mim apenas sabia
O fim
Enfim
Assim
Sem saber
Tua alma limpa e suja de esperança
Só queria dizer
Vá
Para sempre
Vá
Para todo sempre
Vá
Tua alma limpa e suja de desejo
Por outro amor
Eu sei
Eu sei
Eu ouvi
Eu li
Tua alma suja e limpa de calor
Fogaréu de nojo
Por mim
Pelo sexo
Pela boca
Pelo céu
Tua alma suja e limpa de amor
Implorando meu despejo
Vá agora
Vá embora
Eu vou
Ou vou
Tua alma limpa e suja de fé
Recebeu as preces
Para sempre
Eternamente
Nunca mais
Em seu caminho
Oh, os anjos desceram deliciosamente esbraseados!
todas as passagens se abrem e eu ouço o chamado,
venha, criança, e me guie com o teu amor inteligente
e puro, me dê a mão para que o olhar ardente
acenda na alma as belezas que só encontrei no teu semblante
Eu vim para te amar, mulher, eu vim p'ra te amar e ficar
p'ra sempre, todo o segredo do amor eterno é o que há
de unir nossos sonhos num ser que só existe no amor
compartilhado, por isso te chamo, quando salvar for
imperioso, já estaremos seguros do outro lado da ponte
Nas pedras deixo guardados documentos temidos,
eu sei que a mudança é todo o dia e vem de dentro,
mas como podemos abandonar os que não têm argumento
se o amor liberta quando une quanto mais decidido
é o passo do homem que vê na mulher todo o adiante
Eriko Alvym
Moça bonita da alma de lira
no teu olhar a melodia cintila
Moça bonita meu amor te delira
você me deu a estrela e a trilha
Moça bonita da alma de lira,
o que dizer? o amor desce da ira
o amor é o vulto
projetando a noite
o amor ao tumulto
desenha o bisonte
Moça bonita da alma de lira
aonde o ritual o teu quadril gira
Moça bonita da alma de lira
eu te peço - amor ensina
Moça bonita da alma de lira
do cavalo eu puxo o brasão e a estrela vira
a estrela revela
aonde o amor é aquarela
a estrela anuncia
aonde o amor se cria
Moça bonita da alma de lira
a estrela é a lágrima do amor que brilha
o meu olhar que você inventou de tão linda
Eriko Alvym
...escrevi, faz tempo, um poema intitulado
“POETA QUE SENTA-SE PARA ESCREVER”...
E como eu, leitor, vivo continuamente
desconfiado da quantidade e qualidade
de sua inteligência que, imagino, seja pouca,
curta, grossa de casca, implantada e/ou artificial,
resolvi , por isto, ejacular estes versos explicativos
dizendo que o que eu quis dizer ao confessar
que sento-me para escrever, foi que, mesmo
desprovido de um tema e privado temporariamente
daquela emoção parturiente e propulsora
que, uma vez desencadeada, faz com que o transmorfo
e bovino tempo, por exemplo, se transforme
metaforicamente numa vaca
para que eu, emocionado, vulgo inspirado,
o ordenhe esferograficamente... Pois bem,
mesmo e ainda assim, eu sento-me, me sentindo
provisoriamente abandonado pela inspiração e, transpirado,
apenas friamente transpirado,
escrevo... escrevo... escrevo... como se eu fosse, ai de mim,
(que Deus me livre e guarde), Diadorim, e a caneta
o sempre duro, irresistível e eruptivo pau do jagunço Riobaldo...
José Lindomar Cabral