"Eu pude ler a tua alma através desses teus olhos, e entendi o nosso fim, apenas me dê um sinal de que a porta será aberta e deixaremos como lembrança, nossos sorrisos"
Tua alma limpa e suja de rancor
Que tristeza descobrir que acabou.
O calor
O fervor
O sabor
O amor
Tua alma limpa e suja de raiva e de ódio
Por algo que não aconteceu
Mentira
Ira
Fuga
Outro
Amor
Tua alma limpa e suja de ódio e raiva
Por mim apenas sabia
O fim
Enfim
Assim
Sem saber
Tua alma limpa e suja de esperança
Só queria dizer
Vá
Para sempre
Vá
Para todo sempre
Vá
Tua alma limpa e suja de desejo
Por outro amor
Eu sei
Eu sei
Eu ouvi
Eu li
Tua alma suja e limpa de calor
Fogaréu de nojo
Por mim
Pelo sexo
Pela boca
Pelo céu
Tua alma suja e limpa de amor
Implorando meu despejo
Vá agora
Vá embora
Eu vou
Ou vou
Tua alma limpa e suja de fé
Recebeu as preces
Para sempre
Eternamente
Nunca mais
Em seu caminho
Desconectar da alma essa alma
Desconectar da lama essa lama
Fugir do paradoxo existente.
Desconectar do muro esse muro
Desconectar do rumo esse rumo
Fugir daquele instante onde não existo agora.
Desconectar do mundo esse mundo
Desconectar do olhos esses olhos
Fugir da caminhada antes que me caleje.
-As mãos cansadas de frio, as mãos cansadas de frio!
-Os pés que não voltam para lá, os pés já não querem estar lá!
Dissipar no ar aquele ar
Dissipar no mar aquele lar
Voar por entre as casas destelhadas.
Dissipar no chão aquele chão
Dissipar no escuro a escuridão
Voar por entre escadas infinitas.
-Cansadas de cair sobre meus pés, cansadas de fugir sob meus pés!
Sucumbir calado aos pecados
Sucumbir alado aos descasos
Da vida que insiste em não morrer
Sucumbir no tombo do destino
Sucumbir aos trancos esse desatino
Da vida que insiste em naufragar
-Enfiando alma guela abaixo, destilando a cachaça guela abaixo!
E ao abrir os olhos, ficou tudo claridão. Limpidamente claro como o claro dos teus cabelos ralos que não querem se deixar envelhecer.
E o estrupicio, seria pensar que meus sonhos são vagos vagões de trem infestados de fantasmas fantasiados de manipuladores de fantoche.
Não sei se sabíamos desse acaso aparente ou se simplesmente desmentíamos o trecho final. O que eu mais queria era não ser, não crer ou ter suficiente insuficiência para pensar em dizer o quanto tudo é muito cansativo.
Que caralho tudo isso!
E eu não tenho nem ao menos um dólar guardado dentro do paletó infestado de pó que ainda assim, devorado pelas traças que regurgitam pequenas frases de amor, mantém sua presença encabidado de forma fútil como se fossemos meros idiotas, viciados em coca-cola e queijo branco derretido, pendurados pela gola vital de toda uma merda expoente.
E eu não quero assistir filmes porque me sinto um babaca dentro da televisão enchendo de ar meu ultimo pulmão para beijar uma atriz e ter que olhar para a câmera dois e sorrir em vão. Eu não quero ter que ouvir minha mulher falar através do brilho tímido de seus olhos o quanto é gostoso aquele cara parecido com o Mickey Rourke enquanto que quando na transa ela goza loucamente com o que lhe sobrou após o final do filme.
E se for pra ser político que se foda todo plenário porque de executivo o cú dos pais e do país está cheio do legislativo. E todos seguem cantando dentro de si sem lenço e ainda sem documentos. Cansei da palhaçada! Digo não e não voto mais por prazer mesmo sabendo que jamais terão comigo, muito menos saciar os votos penitentes da vasta imensidão de promessas.
De tudo isso e mais um pouco é de que estou cheio, com as bolas infladas de hélio, meu amigo é serio, que satisfação saber que tu estás cada vez mais caolho e que depilas estas sobrancelhas bigodudas e ainda anda raspando o cú para se travestir enquanto assiste ao jornal nacional.
Oras, que anormal seria se eu fosse minha própria concubina e trepassemos num pé de manga como duas mulheres lesbicas porem, rapinas, e naquele mesmo instante em que Deus observa nossos passos, será que ainda assim você empinaria tuas duas narinas para respirar o sol envergonhado?
Não sei se sabíamos desse acaso, mas ao contrario de tudo que se passa pela minha mente enquanto te encaro no mais clássico estilo olho no olho, escorre somente a duvida se finalmente tudo aquilo e isso aqui teria fim.
Eduardo Santos
Esse poema sem dinheiro
compra o leite mais barato e às vezes vem estragado
Esse poema pobre sem contracheque
ganhou, sem pedir, crédito no banco mais rico
Esse poema mulher (velha)
viaja em pé porque não tem como entrar antes dos outros no ônibus
Esse poema mal dormido
iludido enganado
Esse poema inflamado de discurso
esqueceu a palavra
Esse poema querendo porrada
não tem corpo
Esse poema irado
parado
Esse poema desesperado de guerrilha
não sabe onde atira
Esse poema Russo duro ateu
morreu num submarino de guerra enguiçado no fundo
Esse poema sem saída não existe sem rua
Pedro Rocha
Ela vai. Tornozelos grossos, penugem dourada. Ela arrebenta.
Ela vai, aos desesseis, fazendo fila. Passa por todo mundo. E segue.
Bate o burocrata que a quer fazer legal. Dribla o plutocrata que a quer só para dele.
Ela vai, aos desesseis, fazendo a festa. Dos que a querem acompanhar.
Dança com o mendigo. Bebe com o maluco. Mexe com a torcida.
Ela vai, aos desesseis, fazendo o fino.
E desberlota a mãe que a quer só pra ela. E desarvora o pai que a quer mais para ele.
Ela vai, aos desesseis, satisfazendo fundo. Os que a tiram pra dançar.
E descabela o palhaço do garoto que a toca com cuidado.
E desenrola a bandeira da menina envergonhada que cresceu
E desentoca o bagulho que agora virou a bela e a fera
Ela vai, aos desesseis, se fazendo nesse mundo. Junto com quem quer
Escrever a vida por linhas tortas e versos trôpegos
Cutucar o tempo com seu passo insinuante sideral
Executar o solo mais elétrico nesse palco
Vociferar palavras estilhaçadas no vento
Ela vai, com oito em cada perna e o infinito pelos poros.
Ela vai, aos desesseis. Enquanto você pensa, ela já fez.
chacal