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Conjuntivite nº 1

Eu não escondo nada...
Embora permaneça abraçado ao teu destino
Pouco a pouco deito os ombros
abaixo os olhos
balbucio duas ou três palavras de amor ao teu ouvido
e jogo longe toda a decisão
toda a calma e a segurança
e o desespero planejado
e te puxo com força pra perto.
Teu sussurro silencioso
a melodia descompassada de mil sinos
e eu me vejo soprando a razão
pra fora da sala
entregue
mudo
quase me arrastando...
e teus dedos passeiam por toda a enorme alma
acaricia
desliza
adormece
anestesia
sou teu
e não escondo nada...

Contículos

Ela previu que naquele exato segundo haveria uma suave intenção que destilaria, por cada centímetro do quarto, um sentimento frio de desilusão.

Respirou fundo e caminhou distraidamente em direção à ele, baixou os olhos e assoviou calmamente uma canção dos Stones...retirou do bolso um punhado de sentimentos ,
disparou acidentalmente meia dúzia deles no rosto estúpido daquele estranho...moveu os lábios entoando um mantra ...o beijou no rosto...calmamente enterrou o punhal em seu estômago...
girou lá dentro em um ritmo acelerado, quando ele desmaiou frio no carpete encardido da sala ela beijou sua testa...levantou calmamente e continuou a assoviar Stones...caminhou em passos flutuantes para fora da sala...abriu suas asas e sumiu na noite escura...ainda se ouvia o assovio...e seu rosto cintilando na retina...

Meus Nomen Est Nex Pro Nuto

Não sei se sabíamos desse acaso aparente ou se simplesmente desmentíamos o trecho final. O que eu mais queria era não ser, não crer ou ter suficiente insuficiência para pensar em dizer o quanto tudo é muito cansativo.

Que caralho tudo isso!

E eu não tenho nem ao menos um dólar guardado dentro do paletó infestado de pó que ainda assim, devorado pelas traças que regurgitam pequenas frases de amor, mantém sua presença encabidado de forma fútil como se fossemos meros idiotas, viciados em coca-cola e queijo branco derretido, pendurados pela gola vital de toda uma merda expoente.

E eu não quero assistir filmes porque me sinto um babaca dentro da televisão enchendo de ar meu ultimo pulmão para beijar uma atriz e ter que olhar para a câmera dois e sorrir em vão. Eu não quero ter que ouvir minha mulher falar através do brilho tímido de seus olhos o quanto é gostoso aquele cara parecido com o Mickey Rourke enquanto que quando na transa ela goza loucamente com o que lhe sobrou após o final do filme.

E se for pra ser político que se foda todo plenário porque de executivo o cú dos pais e do país está cheio do legislativo. E todos seguem cantando dentro de si sem lenço e ainda sem documentos. Cansei da palhaçada! Digo não e não voto mais por prazer mesmo sabendo que jamais terão comigo, muito menos saciar os votos penitentes da vasta imensidão de promessas.

De tudo isso e mais um pouco é de que estou cheio, com as bolas infladas de hélio, meu amigo é serio, que satisfação saber que tu estás cada vez mais caolho e que depilas estas sobrancelhas bigodudas e ainda anda raspando o cú para se travestir enquanto assiste ao jornal nacional.

Oras, que anormal seria se eu fosse minha própria concubina e trepassemos num pé de manga como duas mulheres lesbicas porem, rapinas, e naquele mesmo instante em que Deus observa nossos passos, será que ainda assim você empinaria tuas duas narinas para respirar o sol envergonhado?

Não sei se sabíamos desse acaso, mas ao contrario de tudo que se passa pela minha mente enquanto te encaro no mais clássico estilo olho no olho, escorre somente a duvida se finalmente tudo aquilo e isso aqui teria fim.

Eduardo Santos